sexta-feira, 24 de maio de 2019

A gente não cansa de ver!



Quando o jogo número 1000 surgiu no horizonte das estatísticas, temia que sua importância se dissolvesse em um jogo qualquer da Segundona. Acabou que a milésima partida foi mesmo pela Divisão de Acesso, porém longe de ser uma “qualquer”: uma partida decisiva, de vida ou morte, que pela coincidência parecia feita para a consagração gloriana, mas que infelizmente não teve o desfecho esperado por todos nós. Agora, passado o momento mais agudo da decepção, a coisa ganha outra perspectiva. E a gente deixa de lamentar a derrota e passa a focar no caminho que nos levou a esse momento. Mil jogos! Será que aquele pessoal que entrou em campo para enfrentar o Mundo Novo (quem?), em 1976, vislumbrava uma história que tão longeva assim?

Não tive a felicidade de acompanhar toda essa trajetória. E só eu sei como sinto não ter visto Ferreira, o herói dos heroicos primeiros anos de profissionalismo. Mas tive a graça e a felicidade de testemunhar o carisma e as defesas de Gasperin, o talento ascendente de Edmundo, a energia de zagueiros como Juarez e Marcelo Bolacha, a raça de Xavier, os gols de Zé Cláudio, Sotilli e Alê Menezes, apenas alguns dos mais de 700 atletas que vestiram a camisa do Leão da Serra nessas quatro décadas.
Mas qualquer visão sobre esses mil jogos estaria incompleta se confinada às quatro linhas. Porque não deixei de observar à beira do gramado técnicos como o grande Daltro Menezes, comandante daquele inesquecível time de 1989 – e lá se vão 30 anos! –, quando tudo, absolutamente tudo parecia possível para o Glória! Dos dirigentes, impossível não ver e admirar a abnegação de um Eugênio Marques, a determinação de um Francisco Schio, a paixão de um Décio Camargo.
Vi – “ouvir” talvez fosse o verbo mais preciso – narradores como Francisco Appio e Paulo Silva, “enxergando” o jogo por meio deles sempre que o Leão estava longe de nós, ou nós dele. Nas arquibancas, vi torcidas como a TOG, a Alma Independente e a Ultras, e torcedores como Alexandre Borges de Souza, Bito Rigon e Fábio Martins, para citar apenas alguns – e como gostaria de citar a todos! – que conheci pessoal ou virtualmente, cada um torcendo à sua maneira, mas com o coração repleto desse afeto em azul e branco que preenche nossos corações.
É... Em mil jogos, pode-se ver muita coisa. Mas, por mais que se tente, não se vê tudo. E fica uma saudade danada de tudo o que escapou aos nossos olhos, e de todos os lances que a gente juraria ter visto com esses que a terra há de comer! Mas tudo bem: essa história vai continuar, e novas desenrolar-se-ão (com licença, presidente Temer) diante de nossas vistas. Afinal, quando o assunto é Glória, definitivamente a gente não cansa de ver!